Conselho Estadual de Cultura

Digite abaixo o nome ou número do seu projeto


Tamanho do texto Diminuir fonteAumentar fonteImprimir

21/7/2015
Conselho Estadual de Cultura do RS aborda transversalidade entre cultura e educação em sessão ordinária aberta

O Conselho Estadual de Cultura do Rio Grande do Sul realizou nesta terça-feira, 21, mais uma sessão ordinária aberta. O tema abordado foi a transversalidade entre cultura e educação. Para compor a mesa, o presidente do CEC-RS, Neidmar Roger Charão Alves, convidou a Diretora de Assuntos Comunitários da Ulbra, a Prof. Me. Simone Brum Imperadore, e o Conselheiro de Estado de Educação – CEEED, Hilário Bassotto, indicado pelo SINEPE/RS.
Abrindo a sessão, Simone fez breve apresentação sobre os planos de educação que já existiram no Brasil, e sobre o programa de extensão das universidades. A professora destacou que em 2014 houve uma mudança conceitual de grande importância. Essa mudança se deu por meio da Lei nº 13.005 de 2014, que estipula a integralização de, no mínimo, 10% do total de créditos curriculares exigidos nos cursos de graduação, através de programas e projetos de extensão em áreas de pertinência social. Simone ainda citou o autor Botomé (1996) que define o processo de extensão como um “balcão de negócios”. Para a professora, ainda existem muitos entraves e dificuldades para a plena realização das atividades de extensão nas universidades. Entre as questões a serem alcançadas estão a demolição dos muros do isolamento da educação e da universidade; a perspectiva de relação interdisciplinar; a redefinição de universidade como espaço de formação do ser integral e, por consequência, de projetos de curso; a valorização dos núcleos de governança na universidade; concepção de currículo a partir de atividades acadêmicas de ensino-pesquisa-extensão.
Para o conselheiro Hilário Bassotto, é necessário “um novo olhar para o fazer pedagógico e para a sociedade, a fim de transformar essa sociedade”. Ainda segundo Bassotto, atualmente existe um “círculo vicioso onde o professor é preparado para ser professor e multiplicar a diferença social”. Ainda para Bassotto, o “ensino é transformador da sociedade e não um multiplicador dos mesmos sistemas”.
Após essa primeira parte foram abertas as inscrições para manifestação da plateia. A primeira inscrição foi do conselheiro Demétrio Xavier, que disse que “o processo de extensão em si é vertical e hierárquico”. Na sequência, o representante do Comitê de Integração da Fronteira Sul Brasil-Uruguai, Ricardo Almeida, que destacou que “militantes não imaginam um mundo ideal, eles trabalham com as possibilidades que a vida lhes dá”. Ricardo ainda ressaltou que “atualmente apenas o Conselho Estadual de Cultura está chamando para debates, o que é lamentável”.
A inscrição seguinte foi da Pró-reitora de Extensão da Feevale, a professora Gladis Baptista, que questionou: “Temos uma carga horária mínima, diretriz curricular a ser seguida e tempo mínimo para a conclusão do curso, então qual é a democracia nesse processo que vem impor 10% de projetos de extensão ao aluno?”. Ainda segundo a professora, esses 10% de créditos curriculares em atividades de extensão poderão prejudicar o aluno no foco de sua formação. Gladis encerrou sua participação dizendo que “essa posição a inquieta e incomoda”.
Fábio Eros, representante das culturas populares, segmento hip hop, disse que “deve-se lutar por uma igualdade e fazer com que essa extensão seja feita no dia a dia, para quem está ou não dentro da universidade”. Marcelo Azevedo, ex-diretor de Cidadania e Diversidade Cultural da Sedac RS, falou sobre a “importância da transversalidade entre cultura e educação e que esse não é um processo rápido de se concretizar, em função da dicotomia da história”. Marcelo também ressalta a ausência de outros espaços para diálogo no estado, tão necessários, como o que o CEC RS proporciona. A última inscrição foi feita pela conselheira de estado da cultura, Lisete Bertotto, que falou sobre a dificuldade encontrada na implantação tanto do Sistema Nacional de Cultura – SNC, quanto o Sistema Nacional de Educação – SNE, e que a cultura é uma “possibilidade de sobrevivência psíquica”.
Encerrando a sessão, o presidente NeidmarRoger Charão Alves, destaca que “a sessão fez parte de uma série de sessões abertas que têm por objetivo aproximar o poder público da sociedade civil organizada, a fim de fomentar o diálogo, fortalecer o crescimento da cultura gaúcha bem como a garantia à diversidade e à transversalidade cultural, estratégia contida na SNC”.



Conselho Estadual de Cultura - CEC/RS
Rua 7 de Setembro, 1020 · 2° andar - Memorial do RS
Centro Histórico · CEP - 90010-191 Porto Alegre · RS

© Conselho Estadual de Cultura do Estado do Rio Grande do Sul ·Por Aldeia